Professora Elaine Pimentel transforma pesquisa em mudanças no sistema prisional de Alagoas

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Me Conte Sua História: Trajetória acadêmica e de pesquisas de Elaine Pimentel Ao longo de quase três décadas, a professora universitária Elaine Pimentel transformou a pesquisa acadêmica em instrumento de mudança concreta no sistema prisional de Alagoas. Com estudos voltados especialmente para o abandono de mulheres presas e para o acompanhamento do cárcere à liberdade, ela também teve participação ativa no fechamento do manicômio judiciário do estado. Alagoana, Elaine escolheu o Direito e encontrou na pesquisa seu principal campo de atuação. “Eu me encontrei na pesquisa, na produção de conhecimento, nos projetos de extensão, na possibilidade de dialogar com a comunidade, levar algo para a comunidade e também receber muito da comunidade”, afirmou em entrevista à TV Asa Branca Alagoas. (Assista acima) Elaine Pimentel, diretora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Tv Asa Branca Alagoas/Reprodução Ela é graduada em Direito pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), mestre em Sociologia também pela Ufal e doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, iniciou pós-doutoramento com vínculo em universidades europeias. A trajetória acadêmica a levou a ocupar um posto inédito: foi a primeira mulher a dirigir a Faculdade de Direito de Alagoas, instituição com 95 anos de história, criada três décadas antes da própria Ufal. Elaine assumiu a direção em 2008 e está no segundo mandato. “Eu espero que isso seja uma porta aberta para que outras mulheres sejam e que isso inspire as estudantes a ocupar esses espaços”, destacou. Apesar dos cargos administrativos, ela afirma que é na sala de aula que se realiza. “Cada nova turma renova em mim a esperança e o desejo de fazer algo diferente.” O olhar para as mulheres no cárcere Elaine Pimentel, diretora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tv Asa Branca Alagoas/Reprodução Com sensibilidade voltada às desigualdades de gênero, Elaine assumiu uma pauta marcada por estigmas: a situação das mulheres no sistema prisional. Inspirada pela filósofa Simone de Beauvoir, ela explica que o feminismo é um processo de consciência. “Não se nasce feminista, torna-se.” Desde a graduação, realiza pesquisas em prisões. Ao longo dos anos, identificou padrões recorrentes no encarceramento feminino, como a separação dos filhos, abandono por parte dos companheiros e histórico de violências. “O contrário não acontece. As mulheres permanecem fiéis na fila da visita para ver o companheiro preso”, afirmou. Segundo a pesquisadora, ao trabalhar com a metodologia de história de vida, é possível perceber trajetórias marcadas por violência na infância, abusos, opressões, maternidade precoce e exclusão social. “Há todo um histórico de violência que favorece o encarceramento.” Ela também critica a formação histórica do sistema de justiça. “Todo o sistema de justiça foi preparado por homens e para homens. Os livros mais antigos tratavam a mulher no crime como aberração: a mulher delinquente, a mulher louca, a mulher prostituta.” Diante dessa lacuna, passou a produzir conhecimento sobre o tema. São dois livros individuais e cerca de 20 obras coletivas organizadas ou com artigos de sua autoria. Movimento antimanicomial Manicômio judiciário de Alagoas Tv Asa Branca Alagoas/Reprodução Além do sistema prisional, Elaine também se dedica ao movimento antimanicomial. Seus estudos contribuíram para o fechamento do manicômio judiciário de Alagoas, efetivado em 18 de agosto de 2025, em cumprimento à Resolução 487 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina a aplicação da política antimanicomial no Poder Judiciário. De acordo com ela, Alagoas se tornou o segundo estado brasileiro a encerrar as atividades manicomiais no sistema prisional. “Não é só fechar e entregar para a comunidade. Essas pessoas estavam ali há 20, 30 anos. Como é voltar para as famílias? Como é voltar a viver numa casa?”, questionou. Ela acompanhou o processo de desinstitucionalização dos pacientes, resgatando um projeto de pesquisa que já existia havia sete anos. Para a professora, o momento teve significado especial. “Passei quase 30 anos acompanhando inaugurações de presídios, o que na criminologia chamamos de expansão carcerária, expansão punitiva. Foi a primeira vez que eu fui para um fechamento. Isso, para mim, é muito interessante.”

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/02/24/professora-elaine-pimentel-transforma-pesquisa-em-mudancas-no-sistema-prisional-de-alagoas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 10

top1
1. Deus Proverá

Gabriela Gomes

top2
2. Algo Novo

Kemuel, Lukas Agustinho

top3
3. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top4
4. A Casa É Sua

Casa Worship

top5
5. Ninguém explica Deus

Preto No Branco

top6
6. Deus de Promessas

Davi Sacer

top7
7. Caminho no Deserto

Soraya Moraes

top8
8.

Midian Lima

top9
9. Lugar Secreto

Gabriela Rocha

top10
10. A Vitória Chegou

Aurelina Dourado


Anunciantes